Artigo

01 de Outubro, 2015

Convivendo

A palavra “coisa” é um coringa do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma ideia: “Coisa do Português”, “A natureza das coisas”.

Gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma de “coisificar”.

Na literatura a “coisa” é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu “A força das coisas”, e Michel Foucault, “As palavras das coisas”.

Em Minas Gerais todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de “a coisa”. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que lá vem à coisa”.

Devido lugar: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça”... A garota de Ipanema era coisa para fechar o Rio de Janeiro. “Mas se ela voltar, se ela voltar/ Que coisa linda / Que coisa louca”. Coisas de Jobim e de Vinícius, que sabiam das coisas.

Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é questão de quantidade afinal, “são tantas coisinhas miúdas”. Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ”ô coisinha tão bonitinha do pai”.

Por essa e por outras, é preciso colocar cada coisa em seu devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa: outra coisa é outra coisa.

E tal coisa e coisa e tal... Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas para serem usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras coisas mais.

Mas deixemos de coisa, cuidemos da vida. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: “Amarás a DEUS sobre todas as coisas”.

Entendeu o espírito da coisa?